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Gerenciando as emoções

É interessante o número de pessoas que procuram por ajuda terapêutica por conta das dificuldades que encontram para entender os próprios sentimentos, gerando assim, impactos significativos nos relacionamentos. É comum nos depararmos com dores profundas por conta do indivíduo não perceber o quanto ele é responsável pela maneira como maneja suas emoções, é comum também, encontrarmos relações simbióticas onde as emoções se misturam, e consequentemente, se distorcem.

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Sem sombra de dúvidas, um aspecto importante na vida de um indivíduo é o fato de conhecer a si mesmo e saber gerenciar suas emoções. É essa reflexão que proponho.

Quando nos referimos a relacionamentos, é imprescindível que sejamos capazes de ouvir nosso corpo e como as emoções se manifestam. Ouvi-las quando surgem nas nossas vivências é fundamental para darmos conta de nós mesmos, afinal elas brotam o tempo todo e, muitas vezes, não temos controle sobre o que sentimos, mas entre o sentir e o agir podemos gerenciá-las desde que sejamos capazes de nos conhecer, segundo Weisinger (2001) esta capacidade é denominada de inteligência emocional e “é usada tanto intrapessoalmente – para ajudar a si mesmo – quanto interpessoalmente – para ajudar outras pessoas”. Sendo assim, o indivíduo que percebe e preocupa-se com esta questão tende a ter relacionamentos melhores, justamente porque sabe manejar e distinguir suas emoções.

Existem duas definições bastante usadas no meio corporativo que direcionam como podemos distinguir o que está acontecendo no nosso âmbito emocional. Segundo Goleman (2001) “a inteligência emocional é a capacidade de identificar nossos próprios sentimentos e os dos outros, de motivar a nós mesmos e de gerenciar bem as emoções dentro de nós e em nossos relacionamentos”. Já para Weisinger (2001) “a inteligência emocional é simplesmente o uso inteligente das emoções – isto é, fazer intencionalmente que suas emoções trabalhem a seu favor para ditar seu comportamento e seu raciocínio de maneira a aperfeiçoar seus resultados”.

Se considerarmos tais definições como um caminho a ser seguido, constataremos que a falta de autoconhecimento nos faz vivenciar relacionamentos muitas vezes frustrados. Erroneamente passamos a acreditar que o outro é responsável por provocar insatisfações, dores, medos e dissabores, gerando assim, um sentimento de fracasso, sejam nos relacionamentos pessoais ou profissionais.

Outro ponto muito importante que precisamos considerar é a dificuldade que temos em receber críticas. Weisinger (2001) reforça que  “uma crítica feita de maneira destrutiva provoca um colapso emocional”. O que geralmente acontece é que ao recebermos a crítica somos “fisgados” por uma emoção negativa. Esta emoção aciona o nosso sistema de defesa e como não damos conta do que o outro pensa, acreditamos que ele é o responsável pelo nosso desconforto e/ou sofrimento, quando na verdade o que importa não é o que ele pensa, mas sim como reagimos emocionalmente a partir da crítica. Mudar isso é imprescindível, mas só acontecerá se ambos, quem faz a crítica e quem a recebe, perceberem qual a atitude que causará menor impacto na relação, do contrário, quem recebe defende-se emocionalmente ressentindo-se,  e quem a faz, muitas vezes não tem a preocupação do quanto a forma de falar ou agir afeta o outro, e consequentemente, o relacionamento.

Sendo assim, podemos nos perguntar: o que fazer para minimizar o impacto das emoções nos relacionamentos?

A resposta é individual e para iniciar este caminho, precisamos nos conhecer o quanto antes e saber efetivamente quando, quanto e como as emoções nos afetam. Hopcke (2011) diz que “o processo de chegar ao equilíbrio psíquico, chamado por Jung de individuação, está relacionado aos impactos emocionais serem menores a partir do momento em que nos tornarmos indivíduos autônomos, ou seja, um consigo mesmo”. O que nos leva a perceber a existência de uma necessidade real em darmos um novo significado aos relacionamentos, buscando a resposta que está dentro de cada um de nós. Cada indivíduo responderá qual é o melhor caminho para gerenciar suas emoções e apropriar-se delas, afinal, ela é nossa e não do outro.

No âmbito da Psicologia, um dos caminhos é a psicoterapia que “visa promover o autoconhecimento, proporcionando novas experiências de vida que exerçam uma influência saudável” (www.sapsip.com.br). Normalmente durante este processo, o indivíduo permite-se olhar de maneira mais profunda e focada, apropriando-se de suas emoções e percebendo que tem condições efetivas de ressignificá-las.

O que podemos concluir é que independentemente do caminho que escolhermos, temos a possibilidade de gerenciar nossas emoções e, consequentemente, estabelecer relacionamentos mais saudáveis.

Referências bibliográficas:

  • Inteligência Emocional – Daniel Goleman – Editora Objetiva – 2001
  • Inteligência Emocional no Trabalho – Hendrie Weisinger – Editora Objetiva – 2001
  • Guia para a Obra Completo de C.G. Jung – Robert H.  Hopcke – Editora Vozes – 2011
  • www.sapisip.com.br

Sobre Obirici Santos

e-mail CRP 06/84629 Psicóloga formada pela UniFMU. MBA em Gestão de Pessoas pela Fundação Getúlio Vargas. Atendimentos em psicoterapia a adolescentes e adultos; avaliação psicológica, terapia de casal, orientação a pais, orientação vocacional e consultoria a empresas.