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Psicologia e Psiquiatria – Uma parceria

Tem sido cada vez mais comum nos depararmos com pacientes que nos procuram indicados por psiquiatras,assim como, nós psicólogos encaminharmos pacientes a eles.

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Embora comum, tal situação ainda é vista com certo receio por grande parte da população. Isto porque alguns conceitos pré-estabelecidos ainda fazem parte das nossas crenças estabelecendo, muitas vezes, uma distorção sobre o objetivo de ambos os tratamentos.

De um lado ou de outro, o que ocorre é que ambos os tratamentos são fundamentais e, em muitos casos, o trabalho em conjunto torna-se crucial para que os resultados sejam benéficos ao paciente. Trata-se de uma grande parceria.

Minha proposta neste texto é auxiliar as pessoas a “desmistificarem” a idéia de que um ou outro tratamento não seria bom, quando na verdade, o que percebo é que dependendo do caso esta parceria é fundamental para o processo de cura do paciente. Ressalto ainda que, não falarei dos aspectos mais detalhados da indicação ao psiquiatra e sim da minha percepção nos atendimentos que realizo e/ou direciono na minha vivência clínica.

Quando o psiquiatra indica o atendimento psicológico:

Normalmente as pessoas estão em tratamento psiquiátrico e o médico sente que há necessidade de incluir o atendimento psicológico.
Esta resistência pode acontecer porque estas pessoas apresentam certo receio e/ou dificuldades para falar de si, por conta disso, direcionam as possibilidades de cura apenas para a medicação.

O primeiro passo quando a indicação parte do psiquiatra e o paciente tem resistências é o psicólogo auxiliá-lo no entendimento de que a psicoterapia trará novas possibilidades, mesmo sendo difícil falar de si. É nosso papel reforçar que no contexto terapêutico será respeitado o tempo do sujeito, possibilitando assim,o fato de que falar de si, permitia a elaboração de algumas questões, e com isso, a promoção de um novo significado à alguns pontos trazidos pelo individuo. Nesse sentido, nosso objetivo é auxiliá-lo a entender seus sintomas e a olhar para a sua história de vida com objetivo de adquirir maior consciência de si, e consequentemente, ter condições de identificar e se assegurar quanto as suas escolhas, seus desejos e assim entender qual o melhor caminho a trilhar.

Outro ponto muito interessante é quando o paciente chega com muito medo e preconceito perante os atendimentos psicológicos, e por conta disso, resistir ao processo. O que eles não sabem é que o atendimento psicológico é um grande aliado, já que um de seus objetivo é o de aliviar as tensões, auxiliando-o a identificar como se sente perante os momentos de alegria e tristeza, possibilitando-o reconhecer e identificar suas emoções, bem como, de como lidar melhor com elas.

O que percebo é que a grande queixa dos pacientes que procuram a psicoterapia através de uma indicação médica é a falta de entendimento e acolhimento do meio social em que vivem. Denotam grande dificuldade para realizar um progresso no desenvolvimento emocional que vem muito pressionado por crises de ansiedade e baixa auto estima,caracteriza por exemplo,abrir suas questões mais íntimas para alguém desconhecido se o seu próprio meio o “repele”. Nestes casos, o trabalho do psicólogo consiste em captar a comunicação do paciente, e auxiliá-lo a construir reflexões próprias livres de julgamentos.

Quando o psicólogo indica o atendimento psiquiátrico:

Normalmente as pessoas não concebem a idéia de ir até o psiquiatra e serem orientados a tomar medicamento. É comum se comportarem e apresentarem características do senso comum, dizendo:“mas um psiquiatra? Eu não estou louco!” Frase esta também oriunda do senso comum e da herança de que um tratamento psiquiátrico só acontece com os “loucos”. Existem ainda as pessoas que resistem ao processo de serem medicadas, pois passar por isso pode significar uma certa fragilidade. Para elas, tal situação pode ser vista como fraqueza ou incapacidade de resolver seus próprios problemas.

Outro ponto muito importante e que também deve ser considerado é encontrarmos o paciente com muito medo e aflição, pontos estes oriundos de um pré-conceito e, algumas vezes, atrelado a um certo julgamento da conduta do médico. O paciente acredita que será submetido a medicações e que se tornará dependente por toda sua vida. Nestes casos, o papel do psicólogo é fundamental no sentido de orientar quanto a importância do acompanhamento psiquiátrico em paralelo ao psicológico, pois a intensidade das suas dores emocionais provocam um aumento exacerbado da ansiedade, impossibilitando que ele consiga em atendimento psicológico tratar suas questões.

O papel do psicólogo é explicar que a psiquiatria é uma especialidade médica, como tantas outras, que tem como objetivo avaliar o sofrimento psíquico e utilizar-se do medicamento para reduzir a intensidade dos seus sintomas,facilitando a intervenção psicoterapêutica.

Mesmo com todas as contradições que ainda hoje ambos tratamentos sofrem, percebemos o quanto é importante que paciente, psicólogo e psiquiatra estabeleçam uma parceria . Para isso, faz-se necessário uma reflexão de que cada vez mais, ambos podem trabalhar para o alivio das dores emocionais aconteça de uma maneira efetiva, através da intervenção de uma equipe “ multidisciplinar” que olha para o paciente potencializa o seu bem estar.

Sobre Patrícia Pereira do Nascimento

e-mail CRP 06/105671 Psicóloga formada pela UniFMU. Extensão em Psicologia Hospitalar pela PUC-SP. Atendimentos em psicoterapia a adolescentes e adultos, avaliação psicológica e terapia de casal.